Mapa afetivo: o que é, para que serve e como fazer um para a sua cidade

O mapa afetivo é um instrumento que simplifica o acesso aos sentimentos dos indivíduos em relação ao território onde vivem. O processo começa com um levantamento individual ou coletivo de impressões, sentimentos, histórias, experiências pessoais, potenciais e fragilidades do território. Em seguida, essas indicações são desenhadas no mapa da cidade, saindo da percepção pessoal para ganhar uma dimensão pública.

Com esse instrumento, é possível estabelecer reflexões coletivas sobre questões municipais que, antes, não podiam ser percebidas da mesma maneira e ao mesmo tempo por todos. A elaboração de um mapa afetivo é um processo simples. Geralmente, parte-se do desenho do limite administrativo do município, em uma folha de papel ou mesmo no chão. Nele, os participantes desenham, escrevem ou simplesmente narram sentimentos, vivências e histórias relacionadas a pontos específicos do local.

A elaboração de um Mapa Afetivo fez parte de uma das atividades do Programa de Dinamismo Econômico, coordenado por Mariana Calencio, da Agenda Pública, em Alto Horizonte (GO). A ideia era integrar o grupo de trabalho, estabelecendo consensos. Os participantes foram estimulados a desautomatizar seus olhares cotidianos, para enxergar significados além das estruturas físicas, considerando que mesmo estas podem ser interpretadas de maneiras diferentes de acordo com cada pessoa.

Ao se expressar, o munícipe se apropria do território. Pode se sentir mais pertencente e relevante, ao mesmo tempo em que supera, aos poucos, a visão individualizada que mantinha do lugar onde vive, para enxergá-lo como um espaço comum, compartilhado, com qualidades e problemas públicos. “Tivemos a sorte do grupo participante ser composto por pessoas de diversos setores da sociedade”, afirma Mariana. “Assim, as percepções aplicadas no mapa afetivo ficaram muito ricas.”

Mariana também afirma: “O Mapa Afetivo possibilita a mudança de percepção muito rapidamente, por exemplo: em Alto Horizonte, foi interessante trazer a produção de derivados da cana de açúcar para o mapa. Uma contribuição que não era percebida como um potencial econômico pelos participantes. Ás vezes, nas atividades, as potencialidades do território estão tão enraizadas que podem passar desapercebidas e o mapa afetivo traz esses detalhes a tona”.

Após 20 minutos de trabalho em grupo, foi produzido um mapa mais convencional, diferente do que o que você vê acima, com coordenadas, malha rodoviária e os nomes dos bairros. Em seguida, os moradores apontaram, os elementos que você vê na imagem, que incluem as fragilidades (energia, abastecimento de água, queimadas) e potencialidades (pecuária de corte, gado leiteiro, produção de queijo e entre outros) de Alto Horizonte.

Por meio desse processo colaborativo, foi possível criar um mapa mais íntimo, que aproxima o município do olhar dos seus habitantes.

Por Lais Cruz
Arte de Mariana Calencio