Conheça os destaques do Fórum Econômico Mundial. E entenda como eles se aplicam à realidade brasileira

“O que era considerado ficção científica há poucos anos agora é realidade”, escreve o engenheiro e economista alemão Klaus Schwab no Manifesto de Davos 2019, lançado às vésperas do Fórum Econômico Mundial deste ano na Suíça. Ele se refere às transformações decorrentes da 4ª Revolução Industrial, caracterizada pelas consequências disruptivas da fusão das novas tecnologias. Schwab é fundador e presidente-executivo do fórum e afirma no documento que economias, negócios, sociedades e políticas não estão apenas “mudando” – passam por transformações fundamentais. Por isso, no mundo todo, processos e instituições precisam ser redesenhados de forma antecipada e estratégica para conter riscos e aproveitar oportunidades.

O momento representa, de fato, uma chance histórica para grandes avanços na gestão pública porque o manejo de informações digitalizadas, integradas e cruzáveis em ambientes completamente virtuais favorece, como nunca antes, o desenvolvimento de sistemas capazes prever acontecimentos e prescrever ações. Para que isso ocorra em consonância com os interesses da sociedade e das pessoas, é necessário que se desenvolvam, com a mesma velocidade, novos modelos de colaboração e governança.

O fórum, que se estende até sexta-feira (25), reúne organizações não-governamentais, empresas, acadêmicos e autoridades dentro e fora do G20, o grupo dos países com as principais economias do mundo. Temas como o Acordo de Paris, assinado em 2015 para conter de forma conjunta o aquecimento global, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela ONU dentro da Agenda 2030, estão entre os temas transversais em destaque na programação do evento e se articulam diretamente com o trabalho desempenhado pela Agenda Pública no Brasil. A organização integra o grupo de empreendedores sociais do Fórum Econômico Mundial por seu trabalho nas cinco regiões do país, desenvolvendo equipes, instituições e comunidades para a implementação de serviços públicos relevantes e de qualidade.

“O que se discute aqui é um futuro econômico de face mais humana, que tenha as pessoas como centro do processo”, destaca Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, que apresentou o trabalho da organização em Davos. Ele elenca uma série de desafios globais a enfrentar, como os problemas de governança global, a produtividade da economia e o futuro do trabalho frente às imposições tecnológicas da 4ª Revolução Industrial. “É um momento de grandes transformações que exigirá a construção de novas  capacidades, modelos institucionais e de organização do trabalho. As agendas de desenvolvimento sustentável e o bem-estar das pessoas estão no centro do debate.”

Organizações da sociedade civil de caráter articulador têm um papel fundamental neste momento, ao promover a cooperação, a coordenação e a inovação social, com o aproveitamento da tecnologia para a ampliação dos espaços de participação e para o fortalecimento de modelos mais ágeis de governança.  No Brasil, o trabalho da Agenda Pública em parceria com instituições como o BID, o PNUD e a União Europeia mostra que é possível reunir multiatores para a implementação dessas agendas.

Ainda que haja desafios políticos e fiscais no Brasil, é possível – e urgente – viabilizar e colocar em prática medidas para o avanço da agenda de desenvolvimento sustentável no país. O governo federal não pode ser percebido como o único caminho para a implementação de agendas de desenvolvimento sustentável. É preciso dialogar com diferentes grupos de interesse, envolvendo governos subnacionais (estados e prefeituras), órgãos de controle, a sociedade civil e a ala mais arejada da iniciativa privada para garantir a implementação de soluções ágeis e inteligentes para problemas públicos complexos.