Como estamos reinventando nossa mobilização de recursos

Em um cenário de adversidade, novas ferramentas e instrumentos de financiamento tornam-se uma necessidade e impõem novos desafios para as organizações do terceiro setor

O Terceiro Setor ocupa um importante espaço na sociedade. Hoje a estrutura das organizações da sociedade civil é bastante complexa e diversa, mas mantém a mesma premissa: não possuem finalidade lucrativa e contribuem para causas importantes para a sociedade, de interesse comum.

O papel relevante das organizações comprova que os avanços democráticos estão conectados com o fato dessas entidades estarem abertas ao diálogo e em constante movimento. Nos últimos anos, uma das maiores transformações e desafios impostos a elas é a diversificação de parcerias e fontes de financiamento.

A Agenda Pública, que há quase 10 anos trabalha para transformar a gestão pública e a qualidade dos serviços públicos no Brasil, é um exemplo de como o contexto de crise econômica e insegurança em relação ao cenário político traz a necessidade de inovações e reinvenções estratégicas nas negociações de financiamento.

“Considerando uma conjuntura desfavorável, investimos muito no nosso programa de desenvolvimento institucional, com o objetivo de fortalecer e diversificar as parcerias, trabalhando com fontes públicas e privadas, em diferentes modelos de contratação e parcerias”, explica Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública.

E continua: “A ampliação dos recursos disponíveis para as nossas atividades aconteceu em 2017. O valor captado nesse ano foi mais que o dobro do que foi arrecadado em 2016. Isso nos mostra como estamos apostando certo, em parceiros sólidos e com uma relação de extrema confiança”, conclui.

Uma das estratégias utilizadas pela organização é o co-financiamento, uma nova forma de construir mais impacto, otimizando recursos e colocando em diálogo o trabalho de diferentes organizações. O conceito de collective impact, debatido exaustivamente em universidades como a de Stanford, nos Estados Unidos, questiona as intervenções isoladas de organizações.

“Nós sempre tivemos uma tradição de buscar esse impacto coletivo. Muitos projetos foram viabilizados prevendo diferentes organizações atuando, mas com um mesmo objetivo. Com as dificuldades impostas à mobilização de recursos, projetos de organizações que trabalhem num mesmo sentido são fundamentais para responder aos desafios da sociedade brasileira”, reflete Sergio Andrade.

Os parceiros tradicionais da Agenda Pública, como o Instituto Lina Galvani e a Anglo American, se somam a novos financiadores, como a Fundação Vale. Assim, compõem um grupo extenso de financiadores que se relaciona com a Agenda Pública e acredita em instrumentos inovadores para potencializar as ações, mesmo em um cenário adverso.

“É importante dividir a reflexão de que essas novas ferramentas e instrumentos de financiamento trazem novos desafios aos projetos, por isso é de suma importância que as organizações estejam preparadas para encara-los”, finaliza Sergio Andrade.