Escola Cidade Sustentável - Juventude e Trabalho
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A Escola Cidade Sustentável – Projeto Juventude e Trabalho consiste num conjunto de esforços empreendidos para potencializar a relação entre juventude, trabalho e desenvolvimento sustentável, na perspectiva de ampliação do campo dos direitos sociais das juventudes dos municípios de Cubatão e Santos. Com o intuito de ampliar o acesso de jovens da Baixada Santista a “empregos verdes”* e de fomentar o diálogo entre os diversos setores da sociedade, a iniciativa desenvolve ações voltadas:
- à Educação para Qualificação Profissional na área socioambiental;
- à articulação com empresas e demais organizações da Baixada Santista para a inserção de jovens no mundo do trabalho;
- ao fomento de políticas públicas de/para/com a juventude, por meio da articulação do poder público e da comunidade, incentivando a reflexão, a participação e o controle social.
Cenário
Sabemos que a entrada dos(as) jovens brasileiros(as) no mundo do trabalho é, muitas vezes, marcada por dificuldades relativas à oferta e qualificação. Em geral, eles(as) deixam a escola por volta dos 18 anos, independentemente do grau de escolaridade alcançado, resultando em altas taxas de desemprego juvenil e precariedade das ocupações oferecidas às juventudes.
As políticas federais voltadas a essa parcela da população têm optado por preparar o(a) jovem para fazer a transição do mundo da escola para o do trabalho, facilitando sua contratação e oferecendo-lhe melhores oportunidades e, por prolongar sua escolarização, retardando sua entrada no mercado. Desse modo, procuram integrar o incentivo à conclusão do Ensino Médio a programas de aprendizagem profissional.
A Escola Cidade Sustentável, em sintonia com as políticas públicas existentes, propõe oferecer aos(às) jovens de Cubatão e Santos uma formação em questões ambientais, completada por uma experiência de trabalho no chamado “mercado verde”.
A opção por uma formação profissional focada em questões ambientais justifica-se porque as áreas metropolitanas de Cubatão e Santos são circundadas pela Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV) e, desse modo, o Projeto pretende oferecer formação profissional focada em conhecimentos que permitam ao(à) jovem lidar com a conservação e a recuperação do meio em que vivem e, ao mesmo tempo, desenvolver atividades econômicas que contribuam para melhorar a qualidade ambiental.
Três frentes de ação
A Escola Cidade Sustentável – Projeto Juventude e Trabalho atua nos municípios de Cubatão e de Santos de três formas diferentes e complementares entre sim:
1. Investimento na educação profissional de 180 jovens dos municípios paulistas de Cubatão e Santos com a oferta gratuita de três cursos técnicos de nível básico:
- Turismo Sustentável
- Gestão de Negócios Sustentáveis
- Gestão Ambiental
A iniciativa de Educação para Qualificação Profissional, voltada aos e às jovens, é uma proposta educativa progressista, diferenciada, tendo como dimensões indissociáveis a juventude, o trabalho, a ciência, a cultura e a tecnologia. Para tanto, a Escola Cidade Sustentável investe também na formação de Educadores(as) a fim de apoiar o desenvolvimento de suas capacidades na área da assessoria técnica, visando a melhoria da atividade docente no Projeto.
2. Articulação com 15 empresas privadas e estatais da Baixada Santista para a contratação de aprendizes que tenham concluído ou estejam cursando a formação e a ampliação do acesso de jovens ao mundo do trabalho, no chamado “mercado verde”.
3. Articulação com as prefeituras e comunidade um fórum de discussão visando o fomento de políticas públicas de/para/com a Juventude.
As políticas públicas são objeto da missão da Agenda Pública, que participa unicamente de projetos que, de algum modo, possam aprimorá-las ou institucionalizá-las contribuindo para uma sociedade mais democrática e igualitária.
A essência do projeto é, portanto, harmonizar a formação profissional para empregos verdes com a política de incentivo à contratação de aprendizes pelas empresas privadas e estatais preocupadas em contribuir significativamente para reduzir emissões de carbono e/ou para melhorar/conservar a qualidade ambiental. Ao mesmo tempo, é promover o diálogo entre o poder público e os atores sociais sobre as políticas públicas de juventude, buscando a institucionalização daquelas que incentivam a formação profissional e a empregabilidade.
Pressupostos que sustentam as ações da Escola Cidade Sustentável
Pensando em favorecer a aprendizagem de forma concreta e significativa, ampliando os olhares e as experiências juvenis, o Projeto, em sua proposta educativa, é norteado por princípios que atuam em todo o processo de construção de conhecimentos:
A Educação para Paz
“A Educação para Paz define-se pelo conjunto de valores, atitudes e comportamentos fundamentados em fatores como: o respeito à vida; a cooperação; o respeito pleno dos princípios de soberania; o respeito e a promoção de todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais; o respeito e o fomento da igualdade entre os gêneros; o respeito e o fomento do direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação; o compromisso com a resolução pacífica dos conflitos; a promoção da não-violência por meio da educação; adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre nações” (ONU, 1999).
Os Quatro Pilares da Educação
A educação ao longo de toda vida baseia-se nos quatro pilares a seguir, a fim de que os sujeitos adquiram competências pessoais, relacionais, produtivas e cognitivas: Aprender a Aprender/Conhecer, Aprender a Fazer, Aprender a Ser e Aprender a Conviver. Os pilares foram definidos no Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação no Século XXI para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO).
A Ciência da Andragogia
Esta ciência é um caminho educacional que busca compreender os adultos. Na Andragogia, a aprendizagem adquire uma particularidade mais localizada no(a) educando(a), na independência e na autogestão da aprendizagem, para a aplicação prática na vida diária. Os(as) jovens e adultos(as) estão preparados(as) a iniciar uma ação de aprendizagem ao se envolver com sua utilidade para enfrentar problemas reais de sua vida pessoal e profissional. Nesse processo, os(as) jovens e adultos(as) aprendem compartilhando conceitos, e não somente recebendo informações a respeito. Desta coexistência e participação nos processos de decisão e de compreensão podem derivar contornos originais de resolução de problemas, de liderança, identidades e mudanças de atitudes em um espaço mais significativo.
O Catálogo de Cursos Técnicos
Como política de desenvolvimento e valorização da educação profissional e tecnológica de nível médio, o MEC iniciou, em 2007, a elaboração do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, um dos marcos do centenário da educação profissional no Brasil. O catálogo agrupa os cursos em formato e linguagem simples, de acordo com as características científicas e tecnológicas de cada um. Para cada perfil de formação, sintonizado com o mundo do trabalho, o catálogo apresenta uma descrição do curso. As informações englobam atividades do perfil profissional, possibilidades de atuação e estrutura mínima recomendada.
A Abordagem Construtivista
A Abordagem Construtivista é baseada na Teoria do Desenvolvimento, de Jean Piaget (1896-1980), sobre os processos de conhecimento do ser humano e que se apoia na ideia de que este se dá através da interação entre organismo e meio. Desse modo, vê o indivíduo como um ser ativo na construção do seu conhecimento. Esta abordagem preconiza que todo processo de aprendizagem é um processo de construção.
*Empregos Verdes
São definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como “postos de trabalho decente em atividades econômicas que contribuem significativamente para reduzir emissões de carbono e/ou para melhorar/conservar a qualidade ambiental”. A mesma organização define o trabalho decente como “um trabalho produtivo, adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, igualdade e segurança, que seja capaz de garantir uma vida digna para os trabalhadores e trabalhadoras e suas famílias”.

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